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ANDRIELE BATISTA

Arte/ Reprodução: Internet

Atualmente, discutimos sobre o fator liberdade em vários aspectos, como a sexual, de pensamento e a autonomia de podermos escolher qual profissão seguir. Entretanto, essa liberdade está contida, muitas vezes, dentro de uma sociedade preconceituosa que dissemina o ódio ao invés de exercer a empatia. Ou seja, neste caso, ela funciona na teoria e não na prática.

Assim também acontece no meio religioso. A fé nem sempre é aceita por todos, ainda mais se não segue padrões sociais e foge do senso comum. O Brasil é considerado um dos países que mais acolhe religiões, mas que ao mesmo tempo as discrimina. Segundo levantamento realizado pela Veja, o Disque 100, canal que reúne denúncias, recebeu 1.486 relatos de discriminação religiosa no ano de 2017 de xingamentos a medidas de órgãos públicos que violam a liberdade religiosa.

A estudante de psicologia e youtuber Geisse Abel segue a religião cristã e relata que já sofreu preconceitos, na maioria das vezes, indiretos por parte de colegas, amigos e até mesmo na faculdade. Além disso, conta que já ouviu críticas e comentários preconceituosos a respeito dos vídeos que produz para o seu canal.

Em um deles, no qual ela fala sobre o comportamento das mulheres no relacionamento, alguns comentários foram de que ela estaria sendo conservadora. “Em nem um momento a minha intenção foi ser machista ou ir contra o feminismo, apenas expressei algo que acredito e que são conceitos que eu sigo. Mas, se pararmos para analisar, esse preconceito religioso é tratado como algo engraçado e colocam, principalmente, os evangélicos, todos no mesmo saco, como se fossem homofóbicos e pregassem o ódio, por exemplo”, diz. “Claro que não devemos generalizar. Existem pessoas preconceituosas dentro e fora da igreja, mas não acredito que combater o preconceito com mais preconceito irá mudar as coisas”, acrescenta.

Geisse conta que já sofreu com discriminação indireto, quando as pessoas faziam piadas sobre sua religião. “Estava em um lugar onde as pessoas a minha volta debochavam e diziam que quem é cristão é burro e que é manipulado pela igreja ou pelo pastor”, recorda.

Segundo a advogada Cristina Maria Boni, intolerância religiosa é um termo que descreve a atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças ou crenças religiosas de terceiros. O dia 21 de janeiro é considerado, no Brasil, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

A advogada salienta que ninguém pode ser discriminado em razão de credo religioso, até porque o Brasil é um estado laico, ou seja, possui posição neutra no campo religioso, sendo imparcial, não apoiando nem discriminando nem uma religião. “A Constituição Federal de 1988 garante a liberdade de religião. A legislação brasileira proíbe qualquer tipo de intolerância religiosa e possui normas jurídicas para punir os que violam esta lei”, relata Cristina.

Alguns artigos da Constituição alegam que não se pode impedir o acesso de pessoas habilitadas em qualquer lugar devido ao seu credo religioso, bem como negar emprego, ingresso de aluno em uma instituição, atendimento ou acesso a transportes públicos, impedir o casamento e, mais importante, praticar, induzir, ou incitar a discriminação ou preconceito. A Constituição Brasileira também diz que é inviolável a liberdade de consciência e de crença.

Segundo o professor de filosofia e ensino religioso Fabrício Corrêa, para entender a intolerância é preciso compreender que no Brasil - dentro do marco ideológico que vivemos, de diferentes grupos dentro de uma mesma sociedade - existe uma multiculturalidade que está sendo abalada por grupos e movimentos internacionais conservadores, como por exemplo, países da Europa fechando o caminho para imigrantes e refugiados de guerra. Isso acaba refletindo no Brasil, porque os temos como referência global e este tipo de preconceito e intolerância se reflete também nas nossas ações. “O filósofo Popper diz que não se pode tolerar o intolerante, se você vê alguém desprezando a religião do outro você não pode tolerar. Ele não induz a nenhuma ação violenta, mas sim a pensarmos sobre isto”, explica Corrêa.

O professor conta que, na adolescência, foi ateu e participou dos processos contra culturais daquele momento, lia a bíblia satânica e que todo esse processo o levou a uma não crença. Entretanto, após cursar filosofia, abriu mais a sua mente para entender que a religião é sim importante ao desenvolvimento social. “Lembro que quando estava no quartel, havia uma grande pressão por parte dos sargentos que comungavam alguma religião, dizendo que eu estava perdido e que iriam me salvar por ser ateu. Levaram-me em uma tenda de luz, onde aconteceram coisas em um ritual que não me fizeram mudar meu pensamento na época”.

É preciso falar ainda sobre até que ponto a liberdade do outro pode interferir na minha e até que ponto a minha liberdade de expressão pode atingir a vida ou a fé de alguém. No Brasil, a liberdade de expressão também tem um limite. O direito brasileiro entende que ela faz parte dos direitos, constando no artigo quinto da Constituição Federal em vários incisos e parágrafos.

Na Constituição Federal diz que logo após garantir a livre expressão individual em diversos aspectos, que não se pode violar e ferir a intimidade, a privacidade, a honra e a imagem que os indivíduos constroem para si e sobre si pela sociedade. Isso explica que dentro da lei, a liberdade de expressão possui um limite na dignidade alheia e que não pode ser sobreposta pelo desejo de que a expressão seja plena.

Ainda segundo a lei, discursos de ódio são considerados atentado discriminatório aos direitos e liberdades fundamentais e serão punidos, isto quer dizer que ao mesmo tempo que a censura, que também fere a liberdade de expressão, também deve ser punida.

No século XVI, a religião estabeleceu suas raízes sem que fosse convidada. Os jesuítas vieram com o intuito de cristianizar a América e o Brasil sempre acolheu as religiões. Entretanto, a intolerância religiosa cresce, a fé é explorada, gerando opressão psicológica e cada vez mais religiões aparecem. Há uma gama de possibilidades de cultos, missas e rituais. Mesmo assim, a preocupação é em criticar a religião do outro. O que se precisa, na verdade, é se preocupar em ser pessoas sociais, que saibam conviver com as diferenças, sem impor, muitas vezes, uma opinião prepotente.

Assim, vale muito investir em práticas que não fomentam o preconceito, mas que ensinam a conviver e respeitar as diferenças sociais, que também estão presentes nas religiões.

A bíblia satânica foi escrita por Anton Szandor LaVey, fundador da Igreja de Satanás. Contando com 272 páginas, o livro foi publicado em 1969, atingiu a marca de meio milhão de exemplares vendidos.

Ilustração/ Reprodução: Internet

Assim como a Bíblia tem seus 12 mandamentos, a satânica possui 11:

1- Não dê opiniões ou conselhos a menos que lhe for perguntado

2- Não conte seus problemas aos outros, a menos que você tenha a certeza que eles querem ouvi-lo

 

3- Quando estiver em outro covil, demonstre respeito ou então não vá até lá

 

4- Se um convidado em seu covil o irrita, trate-o cruelmente e sem piedade

 

5- Não faça avanços sexuais a menos que você receba o sinal de acasalamento

 

6- Não tome o que não pertence a você, a menos que seja um fardo para a outra pessoa e ele grite para ser aliviado deste fardo

 

7- Reconheça o poder da magia se você tem conseguido a usar com sucesso para obter os seus desejos. Se você negar o poder da magia depois de a ter utilizado para benefício próprio, você vai perder tudo o que até então conseguiu

 

8- Não reclame sobre qualquer coisa à qual você não precisa submeter-se

 

9- Não prejudique as crianças pequenas

 

10- Não mate animais, a menos que você seja atacado ou para lhe servir de comida

 

11- Ao caminhar em território aberto, não incomode ninguém. Se alguém lhe incomodar, peça-lhe para parar. Se ele não parar, destrua-o.

Essa expressão é utilizada por algumas religiões, a mais conhecida seria a Umbanda que se apropriou deste nome como parte de seu ritual religioso, nesta religião essas tendas eram usadas muitas vezes como albergues por ser frequentado inicialmente por pessoas que na maioria das vezes não possuíam condições de moradia.


No judaísmo é celebrada a Festa das Tendas, conhecida também como Festa das Cabanas ou Sucot, segundo a escritura bíblica descrita no livro de Levítico, Deus falou a Moisés que fosse celebrado em Israel durante sete dias a Festa das Tendas, onde nenhuma obra servil deve ser feita, principalmente no primeiro e no último dia. Nesta festa os hebreus segundo o preceito bíblico, devem se alegrar na presença de Deus. No último dia da festa, a Torá é celebrada com muita solenidade, no qual são lidos trechos da mesma por homens que são designados nesta ocasião como “Esposos da Lei”.

A youtuber gaúcha Geisse Abel aborda a intolerância religiosa em seu canal do YouTube, Por Obséquio.

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