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Um mergulho ao desconhecido

A busca constante ao aperfeiçoamento do ser humano e amor ao próximo

Amanda Adam

Foto: Amanda Adam

Eram exatas 19h50. O silêncio predominava em um ambiente calmo e acolhedor. Alguns conversavam com o conhecido ao lado, outros prezavam a conversa interior, consigo mesmo. Havia também aqueles que tiravam um cochilo à espera da palestra que começava às 20 horas. Um som relaxante permeava o ambiente. A palestra começa e quem a ministra é o presidente da casa espírita Caminho da Luz, Jorge Reis. O tema a ser abordado é Dimensões espirituais.

Todos fecham os olhos, para um momento de prece ao escutar o palestrante, concentrando-se em suas palavras. “Nossa companhia espiritual será de acordo com nossos pensamentos, nosso foco de preocupação denomina nosso tipo de sonho.” Após, começa uma sessão de slides, ilustrando o ensinamento que ele profere. Jorge relata que a casa espírita é como um hospital, pois cura feridas espirituais. Uma escola, pois nos ensina a sermos pessoas melhores. E uma casa, pois nos acolhe em forma de prece. Após meia hora de palavras de conforto e explicações espirituais aos acontecimentos terrenos, chega a hora do passe coletivo. As luzes se apagam e retorna uma luzinha verde de baixa intensidade, como uma “meia luz”. O palestrando pede ao Mestre Maior (Deus) que nos proteja, pela nossa saúde e acalme os tormentos da alma. Após, encerra-se a sessão.

 

Este mergulho ao mundo desconhecido, para os espíritas, faz a dor diminuir e até cessar. Uma vida é pouco para atingir a perfeição. A morte, o grande temor de muitos é encarada pelos espíritas como o fim de mais um ciclo da vida terrena. Há sempre uma oportunidade de recomeçar. O ciclo nascer, morrer, renascer e progredir foi lema de Allan Kardec. Ele é autor de cinco livros que compõem a doutrina do espiritismo, sendo: O livro dos Espíritos, O livro dos Médiuns, O céu e o inferno, A gênese e Obras Póstumas. Todos estudados por etapas nos grupos de estudos do centro espírita.

 

O espiritismo trabalha em essência, o “interior” do ser humano, como uma transformação individual constante. Não coloca o sentimento de culpa, de castigo a ninguém. O espiritismo reconhece os erros e nos faz perceber eles, mas não os julga, muito menos condena. Ao contrário, nos ajuda a evoluirmos espiritualmente para sermos pessoas melhores, tratando de termos uma paz interior. O ser humano possui uma missão e temos de cumpri-la, para que nosso espírito consiga evoluir. É uma intensa e extensa modificação de comportamento da pessoa segundo valores que ampliam a consciência de sua existência com o Criador.

 

Para a filosofia kardecista, espíritos existem e são seres que já desencarnaram. Ou seja, são as almas de seres humanos que já viveram na terra, e que estas almas depois de deixarem seu respectivo corpo físico, transitam entre nós. Os espíritas ainda explicam que, ao contrário do que imaginamos, eles não são algo indefinido como um clarão ou meros vultos. Seriam seres reais, em forma definida, aparentemente um ser humano vivo. Mas são visíveis apenas aos olhos daqueles que possuem este “dom” de enxergá-los.

 

“Não temos o intuito de tornar alguém espírita, apenas que este consiga ter paz”, Comenta Eliane Lopes, vice-presidente do principal e primeiro centro espírita de Santa Cruz do Sul, o Caminho da Luz, que esclarece algumas dúvidas sobre a religião. Clique aqui e leia a entrevista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VOCABULÁRIO

Passes: uma pessoa com maior sensibilidade busca harmonizar o estado emocional de outro indivíduo. Este mesmo procedimento acaba interferindo em algum mal físico no qual se obtém a cura espiritual.

Morte: situação na qual o espírito se desprende do corpo humano.  Só o corpo morre, a alma, jamais. Término natural de uma etapa física.

Desencarnação: quando a alma se liberta, quando o espírito se desprende de suas coisas terrenas, tais como físicas e psicológicas.

Reencarnação: a forma em que o ser humano vem para terra de alma pura, sem quaisquer recordações de vida passada, sempre em busca da constante evolução espiritual.

Alma: criadas de forma simples e ignorante, nas quais podem seguir diversos caminhos como o do bem e do mal de acordo com seu livre arbítrio.

Carma: conceito derivado do hinduísmo, são as consequências dos nossos atos. “Colher o que plantamos”. Os números de reencarnações são medidos até a alma estar completamente purificada.

Irradiação: para que os não presentes possam conseguir obter o passe a distância. O familiar/conhecido mentaliza quem precisa de ajuda.

Evolução espiritual: está ligada as diversas passagens de reencarnações para se tornar um ser melhor, pois em cada reencarnação, o espirito salda suas dívidas decorrentes de escolhas de vidas anteriores.

Foto: Amanda Adam

Para Eliane Lopes, a vice-presidente do principal e primeiro centro espírita de Santa Cruz do Sul, o Caminho da Luz, Allan Kardec era um espirito luminar, assim como os espíritos que vieram nos codificar a doutrina. Sendo este poliglota, professor e no qual publicou diversos livros para a escola e modificou a forma do estudo em Paris. Foi o primeiro que levantou a questão de que a criança tinha que ter um ensinamento diferenciado do adulto, pois eles não tinham esta separação.

Em Paris, era de praxe as pessoas irem tomar chá nas casas umas das outras e brincar com suas respectivas mesas. A situação era a seguinte: as pessoas perguntavam bobagens e as mesmas respondiam, combinando tantas batidas para sim, tantas para não, e assim eles passavam as tardes. Quando isso foi contado a Allan Kardec, não despertou muito seu interesse. Porém, em um certo dia, ele foi convidado pela Plainemaison e quando chegou lá, a mesa estava realmente respondendo. Mas como ela respondia, se não tinha cérebro, nem boca? Como ela traz essas respostas? E mesmo sem ninguém perguntar ela respondeu: os espíritos. Kardec pergunta: quem são os espíritos? Em batidas a mesa, ela responde: são os espíritos dos homens que viveram na Terra.

A partir daí o mesmo conclui que por trás disto existia algo a mais. Então começa a fazer perguntas, estas nas quais são as 1019 presentes no Livro dos Espíritos. Logo após, transformou-se em A revista Espírita que tem um volume de 12 exemplares e era distribuída nas casas mensalmente, contando o que os espíritos diziam. De modo que, como acumulou um grande volume de conteúdo, Allan Kardec foi orientado pelos espíritos a publicá-los e este virou um livro, O Livro dos Espíritos.

Texto Kardec

     Realizada com Eliane Lopes, a vice-presidente do principal e primeiro centro espírita de Santa Cruz do sul, o Caminho da Luz.

CAMINHOS DA FÉ - O que a doutrina espírita presa?

ELIANE LOPES - Presa o ensinamento moral do Cristo, é a base de todas as religiões.

C.F. - O que Deus representa para o espiritismo?

E.L. - É a causa primaria de todas as coisas, se não fosse Deus, nada de nós nem do universo existiria, nós somos uma criação do pensamento divino, nós somos seres criados da luz.

C.F. - Como veem nossa passagem na terra?

E.L. - Como uma grande oportunidade de aprendizado, de crescimento. Renascemos com esquecimento do passado, sendo uma nova oportunidade de convivermos com as pessoas aonde muitas vezes convivendo com estes nós vamos sentir antipatias e simpatias que representam essa lembrança inconsciente para que a gente possa trabalhar estes sentimentos e nos transformarmos cada vez mais em seres mortais que amam assim como Jesus nos ensinou.

C.F. - Como acontece essa energia repassada nos passes?

E.L. - Todos nós possuímos um magnetismo e todos nós influenciamos e somos influenciados. No passe nós temos um auxilio espiritual que tem toda uma coordenação. Normalmente a gente vai ver que os atendimentos fraternos trazem os mesmo assuntos que vão ser tratados nas palestras e normalmente são as pessoas que vem com as mesmas dificuldades. Então existe uma equipe espiritual responsável por cada dia de trabalho e no passe quando o passista repasse essa energia magnética, que todos nós temos, ela vem ainda recarregada pelo plano espiritual que encaminha para cada um as energias que necessita. Tanto para organização física quando para a espiritual.

C.F. - O que seria os médiuns?

E.L. - Os médiuns são os meios. Pessoas que possuem uma espécie de antena, onde facilita esta comunicação com o plano espiritual com material.

C.F. - As práticas e conceitos espíritas mudaram de um tempo pra cá?

E.L. - Não, elas são as mesmas de todos os tempos porque na verdade nós ainda não conseguimos vivenciá-las. E ela saindo da base do Evangelho de Jesus, que é o ensinamento moral. Ainda temos muito a trilhar, basta darmos uma olhadinha para o lado, o quanto o egoísmo e orgulho ainda prevalecem na raça humana.

C.F. - Como funcionam os grupos de estudo?

E.L. - Nós temos 3 dias de grupo pra facilitar a frequência das pessoas e neles são trabalhados em cima das obras da Doutrina espírita. A primeira sendo o Livro dos Espíritos. Hoje são 500 pessoas. Qualquer um pode participar, independente de sua religião também, porque são ensinos não para os espíritas. São ensinos pra nós espíritos. O espiritismo é uma filosofia de vida. A religião espirita na existe dogmas, nem sacerdócio. Mas como sabemos que aquilo é uma religião? Religião é aquilo que nos religa a Deus e isso a doutrina espirita faz com propriedade. As coisas não são assim porque Deus quer, como a maioria das religiões traz como resposta, não é assim, existe leis, um comando todo, que nos conduz e nos auxilia.

Foto: Amanda Adam

Entrevista

Foto: Amanda Adam

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